Instagram para intermediários de crédito: como a Marta Simões passou de 267 para 19.739 seguidores

Resposta curta: a Marta Simões, intermediária de crédito, passou de 267 para 19.739 seguidores no Instagram entre janeiro e o fim de 2025. O que mudou foi o tipo de conteúdo: vídeos com contas reais sobre dores concretas do crédito habitação, gravados em captações mensais com roteiro aprovado. Um só reel, sobre amortizar, alcançou 173.401 contas sem anúncios. A lição para quem trabalha em crédito: fala do problema que o teu cliente sente no extrato do banco, não do teu serviço.
No início de 2025, a Marta era conhecida pelos clientes que já atendia. Tinha conhecimento, tinha resultados no terreno, mas no Instagram era quase invisível: 267 seguidores e um perfil que não mostrava porque é que alguém lhe devia confiar o crédito da casa.
Este artigo conta o processo por trás dos números: as decisões que tomámos, como organizámos as gravações e o que qualquer intermediário de crédito pode aplicar no seu próprio perfil. Os números completos e os vídeos estão na página do caso da Marta Simões.
O desafio
A intermediação de crédito vive de confiança. Ninguém entrega o processo do crédito habitação a um desconhecido. Por isso, durante anos, o negócio da Marta cresceu como cresce o de quase todos os intermediários: por recomendação.
O problema da recomendação é que não escala. Depende de quem já te conhece, chega quando chega e não te torna uma referência para quem ainda não ouviu falar de ti. A Marta queria o contrário: ser a pessoa em quem se pensa quando o assunto é crédito.
E o mercado existe. Segundo o INE, em 2025 foram transacionadas 169.812 habitações em Portugal, o valor mais alto da série, como também noticiou a Lusa. Cada uma dessas compras é uma família que pode precisar de ajuda com o crédito. A procura está lá. A questão era fazer com que essas pessoas encontrassem a Marta antes de encontrarem o banco.
Havia ainda um obstáculo comum neste setor: o tema é técnico. Spread, Euribor, taxa fixa, amortização. Quem fala assim perde o público ao terceiro segundo.
A estratégia
Olha, vou dizer-te uma coisa que repetimos a todos os clientes de serviços financeiros: ninguém segue uma conta para aprender sobre crédito. As pessoas seguem quem lhes resolve um problema que já sentem.
Então, a primeira decisão foi escolher as dores antes dos temas. Em vez de explicar produtos, cada vídeo partia de uma situação que o público reconhece: a prestação que pesa, os juros que parecem nunca baixar, os gastos fixos que comem o ordenado.
Três decisões que guiaram o projeto
- Contas reais em vez de conceitos. Um vídeo a dizer que a amortização reduz juros passa ao lado. Um vídeo que mostra uma casa de 140 mil euros, uma prestação de 447 euros e quanto disso vai para o banco faz a pessoa parar e fazer a conta à sua própria casa.
- Cada vídeo pensado para conversão. Não procurávamos gostos. Cada roteiro terminava a abrir a porta a uma conversa com a Marta, porque o objetivo era trazer pedidos de ajuda, não aplausos.
- A Marta como rosto e voz. Num negócio de confiança, a cara de quem vai tratar do teu processo vale mais do que qualquer grafismo. O formato escolhido foi o de conversa, com legendas palavra a palavra, para quem vê sem som.
Captações mensais com roteiro
A segunda decisão foi de processo. Em vez de pedir à Marta que gravasse quando tivesse tempo, marcámos captações mensais. Antes de cada sessão, os roteiros eram escritos e aprovados. No dia da gravação, ela já sabia o que ia dizer e só tinha de o dizer bem.
Na The Pear trabalhamos assim na captação de conteúdo: umas 3 horas de gravação no espaço do cliente dão conteúdo para o mês inteiro, normalmente entre 8 e 11 vídeos editados, em formato vertical e com legendas. A direção é nossa do princípio ao fim. O cliente não tem de pensar em enquadramentos, luz ou ritmo.
Para uma intermediária com a agenda cheia de processos, isto mudou tudo. A consistência deixou de depender da vontade de gravar numa terça à noite.

O que fizemos
O trabalho juntou cinco peças: roteiros de conteúdo, captação em vídeo, edição, design e planeamento estratégico. Entre o que está publicado no caso há 44 publicações, com vídeos, carrosséis e fotografia.
O reel sobre amortizar
Em fevereiro de 2025 saiu o vídeo que mudou a escala do perfil. Partia de uma dor que quase toda a gente com crédito sente: nos primeiros anos, a maior parte da prestação vai para juros. O vídeo fazia a conta com números concretos, mostrava uma solução simples (amortizar cerca de 150 euros por mês ou usar os subsídios) e deixava uma pergunta no ar: parece-te justo?
Esse reel alcançou 173.401 contas sem anúncios. A página do caso explica em detalhe porque é que resultou. O que nos interessa aqui é a lição de processo: o vídeo não nasceu de uma tendência. Nasceu de uma pergunta que a Marta ouvia dos clientes todas as semanas.
Carrosséis para guardar
Os carrosséis serviram para o conteúdo que as pessoas querem rever: passos para amortizar, gastos fixos do mês, como preparar o pedido de crédito. Um vídeo traz a pessoa ao perfil. O carrossel é o que ela guarda e envia ao companheiro.
Anúncios com orçamento baixo
A partir de 18 de fevereiro de 2025, juntámos anúncios na Meta com orçamento baixo. A ordem importa: os anúncios só entraram quando o perfil já tinha conteúdo que convencia. Anúncios só aceleram o que já existe.
A primeira campanha, com 90,76 euros investidos, chegou a 37 mil pessoas. E deu uma informação valiosa: o anúncio com mais cliques no link foi o de linguagem mais leve, chamado Comemos um bolo, com 1.210 cliques. O anúncio feito a partir do reel sobre amortizar teve 154. O conteúdo que viraliza no orgânico nem sempre é o que melhor converte num anúncio. Dois posts patrocinados com menos de 50 euros cada levaram 1.287 e 373 visitas ao perfil, o que dá cerca de 4 cêntimos por visita no melhor caso.
Há uma regra a ter em conta. Segundo a Meta, desde dezembro de 2021 quem anuncia na Europa sobre crédito, emprego ou habitação tem de declarar uma categoria de anúncios especial. Nessa categoria, várias opções de segmentação, como idade, género e código postal, ficam indisponíveis, como explica o Centro de Ajuda da Meta. Ou seja, não consegues escolher a dedo quem vê o anúncio. O criativo tem de fazer esse trabalho e chamar a pessoa certa pela mensagem.
Na revisão mensal do projeto ficaram três aprendizagens: a promessa do anúncio tem de ser clara e falar como o público fala; as perguntas no formulário ajudam a qualificar os contactos; e é preciso conhecer o ciclo de venda antes de afinar campanhas, porque um crédito habitação não se decide numa tarde.
Os resultados
Os números vêm das estatísticas do Instagram e do Gestor de Anúncios da Meta, de janeiro a dezembro de 2025. Atenção a um ponto: o crescimento de fevereiro junta orgânico e pago. O alcance do reel sobre amortizar é só orgânico.
| Indicador | Período | Resultado |
|---|---|---|
| Seguidores | Jan. a dez. 2025 | De 267 para 19.739 |
| Visualizações do perfil | Fev. face a jan. | 305,5 mil (+4.392%) |
| Cliques no link | Mar. face a fev. | Mais de 3 mil (+144,6%) |
| Alcance do reel sobre amortizar | Fev. 2025, sem anúncios | 173.401 contas |
Os seguidores multiplicaram-se por 74 em menos de um ano. Mas o número que mais importa para um intermediário não é esse. É o que acontece depois: as visitas ao perfil, os cliques no link e as pessoas que pedem ajuda. A Marta contou-nos que já fechou pelo menos um cliente vindo diretamente do perfil, e é esse o dado que registamos como verificado.

Repara na forma da curva. Depois do salto de fevereiro, o perfil não parou. Continuou a crescer mês após mês, porque as captações continuaram. Na nossa experiência, um vídeo viral sem consistência a seguir é só um pico. Com conteúdo todos os meses, vira uma base.
O que podes aplicar no teu negócio
Se és intermediário de crédito, consultor financeiro ou trabalhas com crédito habitação, estes passos funcionam com ou sem agência.
- Faz a lista das 10 perguntas que mais ouves. Cada uma é um vídeo. Se os clientes perguntam todas as semanas se vale a pena amortizar, há milhares de pessoas a pesquisar o mesmo.
- Usa contas concretas. Um valor de casa, uma prestação, uma diferença em euros por mês. Os números fazem a pessoa aplicar o exemplo à vida dela.
- Grava em lote, com roteiro. Marca uma manhã por mês só para gravar. Escreve os roteiros antes e aprova-os. Assim não ficas dependente da inspiração.
- Aparece tu. O teu cliente vai confiar-te o maior compromisso financeiro da vida dele. Quer ver quem és.
- Termina cada vídeo com um próximo passo. Uma pergunta, um convite para mandar mensagem, um link para simulação. Sem isso, o vídeo entretém mas não traz contactos.
- Só depois anuncia. Quando tiveres conteúdo que já funciona sem pagar, usa-o nos anúncios. E lembra-te de que, em crédito, a segmentação é limitada pela categoria especial da Meta.
- Mede o que leva a clientes. Seguidores são bom sinal. Visitas ao perfil, cliques no link e mensagens dizem-te se o conteúdo está a vender.

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Perguntas frequentes
O Instagram funciona para intermediários de crédito?
Funciona quando o conteúdo resolve dúvidas reais sobre crédito habitação, com contas concretas e o profissional a falar. No caso da Marta Simões, o perfil passou de 267 para 19.739 seguidores ao longo de 2025 e um reel sobre amortizar alcançou 173.401 contas sem anúncios.
Que tipo de conteúdo deve publicar um intermediário de crédito?
Vídeos curtos que partem de uma dor do cliente, como a prestação alta ou os juros dos primeiros anos, e mostram uma solução simples. Carrosséis com passos práticos para guardar. E sempre um próximo passo no fim, para a pessoa saber como pedir ajuda.
Quantas vezes por mês é preciso gravar?
Uma sessão bem preparada pode chegar. Na The Pear, uma captação de cerca de 3 horas com roteiros aprovados dá normalmente entre 8 e 11 vídeos editados, o suficiente para o mês inteiro.
Posso fazer anúncios de crédito no Instagram com segmentação por idade ou zona?
Na Europa, a Meta obriga quem anuncia crédito a declarar uma categoria de anúncios especial. Nessa categoria, opções como idade, género e código postal ficam indisponíveis. A mensagem do anúncio é que tem de atrair o público certo.
Quanto tempo demora a ter resultados?
Depende do ponto de partida e da consistência. A Marta teve um salto no segundo mês, mas o normal é o crescimento consolidar entre o 6.º e o 8.º mês de trabalho regular. Desconfia de quem te promete viralizar.
Fontes
- The Pear Marketing, Caso Marta Simões, consultado em outubro de 2026.
- INE, Em 2025, os preços da habitação aumentaram 17,6%, março de 2026.
- Notícias ao Minuto / Lusa, Preços da habitação com aumento recorde de 17,6% em 2025, março de 2026.
- Meta for Developers, Special Ad Category.
- Meta, Categoria de Anúncios Especial, Centro de Ajuda.

