Marketing para designers de interiores: como a Frázia passou de 269 para 3.583 seguidores em cinco meses

Resposta curta: a Frázia, uma marca de design de interiores e mobiliário, passou de 269 para 3.583 seguidores no Instagram em cinco meses, entre junho e outubro de 2025, com um reel de 257 mil visualizações pelo caminho e projetos de interiores a chegar pelo Instagram e pelo WhatsApp. O que mudou foi a marca ganhar rosto e opinião: a Carina passou a explicar escolhas de design à frente da câmara, em vez de a página mostrar só ambientes bonitos. A lição para quem faz marketing para designers de interiores é simples: o portefólio prova que sabes fazer, mas é a tua opinião que faz alguém escolher-te.
A Frázia sempre teve bons projetos. Interiores e mobiliário pensados ao detalhe, com bom gosto. O problema é que quase ninguém sabia disso: em junho de 2025 o Instagram tinha 269 seguidores e uma comunicação morna, neutra e parecida com a de tantos outros estúdios.
Neste artigo contamos como pensámos o trabalho, que decisões tomámos e porquê, o que publicámos e o que podes aplicar no teu estúdio, mesmo que comeces hoje do zero. Os números completos estão na página do caso Frázia.
O desafio
Imagina um perfil cheio de salas bem decoradas, luz bonita e peças escolhidas com cuidado. Agora imagina mais vinte perfis exatamente iguais. É isto que acontece a quase todos os estúdios de design de interiores no Instagram.
A Frázia tinha três problemas, e nenhum deles era a qualidade do trabalho:
- Comunicação genérica. As publicações mostravam ambientes, mas não diziam nada sobre quem os pensou nem porquê.
- Nenhuma diferenciação. Quem chegava ao perfil não tinha uma razão clara para escolher a Frázia em vez de outro estúdio.
- Os clientes errados. Com 269 seguidores e sem uma voz própria, a marca não atraía as pessoas que queria ter como clientes.
E há um contexto que torna isto mais urgente. Em Portugal, mais de metade das pessoas com perfil nas redes sociais segue marcas (54,7%), e o Instagram é usado por 72,9% de quem segue marcas, segundo o estudo da Marktest de 2025 noticiado pelo ECO. Ou seja, o teu futuro cliente está a ver estúdios no Instagram antes de pedir um orçamento. A questão é se se lembra do teu.
A estratégia
Olha, vou dizer-te uma coisa que repetimos a quase todos os clientes: ninguém compra a um logótipo. As pessoas compram a pessoas. No design de interiores isto ainda pesa mais, porque quem te contrata vai deixar-te entrar em casa e decidir contigo onde gasta o dinheiro.
Por isso, a primeira fase do trabalho foi estruturar a estratégia, e só depois veio a gravação. Foram três decisões.
1. Dar um rosto à marca
A Carina passou a ser a cara e a voz da Frázia. Deixou de haver só um portefólio de projetos e passou a haver uma pessoa que explica, opina e mostra como pensa. Na The Pear acreditamos que a marca pessoal trabalha ao lado da marca da empresa, não contra ela.
2. Ter opinião sobre o setor
A Frázia deixou de mostrar só ambientes bonitos e passou a falar sobre escolhas de design: o que funciona, o que não funciona e porquê. Conteúdo que educa e que, de vez em quando, provoca. Sem medo de desagradar a quem não se identifica com aquela estética.
Isto assusta muita gente. Faz sentido. Só que uma marca que tenta agradar a todos acaba por não marcar ninguém, e se não marca, não vende.
3. Mostrar o processo, não só o resultado
Fotografias de projetos acabados há muitas. Bastidores, escolhas de peças e processos reais há poucas. Foi aí que apostámos, porque é o que mostra o critério de quem desenha.
O que fizemos
Com a estratégia aprovada, o trabalho dividiu-se em cinco frentes:
- Estratégia de conteúdo centrada em autenticidade e opinião.
- Roteiros com narrativa e personalidade, para cada vídeo ter uma ideia clara do princípio ao fim.
- Captação de vídeo com bastidores e processos reais.
- Edição e design pensados para destacar a voz da marca, não para esconder a pessoa atrás de grafismos.
- Planeamento e acompanhamento estratégico, mês a mês.
No total foram 46 publicações, 6 vídeos e 9 carrosséis, de 2 a 7 slides cada. Repara nos números: não é um volume enorme. O que fez a diferença foi o que cada peça dizia.
O reel que mudou o perfil
A 4 de junho de 2025 saiu um reel com uma ideia que vai contra o que se pensa: não importa o preço, o que importa é a curadoria. Chegou a 257.676 visualizações e 2.123 gostos. No mês em que saiu, o perfil passou de 269 para 1.370 seguidores.
Segundo a análise que fizemos na página do caso, o vídeo resultou por cinco razões:
- Um cenário que toda a gente conhece. A Carina está numa loja com pratos, copos e peças do dia a dia. Quem vê percebe que aquilo está ao seu alcance.
- Mostra em vez de explicar. Ela troca e combina as peças à frente da câmara. Em 30 segundos fica um truque que dá para aplicar em casa.
- Uma ideia contraintuitiva. Uma casa elegante não o é por ser cara, mas porque cada objeto foi pensado. É uma frase que dá vontade de guardar e de enviar a alguém.
- Termina com uma pergunta. A Carina pergunta se concordas com ela, e isso convida a responder.
- Uma pessoa real como rosto. Não é um ambiente renderizado. É alguém com critério a falar contigo.

Um reel viral sozinho não faz uma marca. O que fez a diferença foi o que veio a seguir: carrosséis e vídeos com a mesma voz, para quem chegou pelo reel encontrar razões para ficar.
Os resultados
Os números vêm das estatísticas do Instagram da Frázia, entre junho e outubro de 2025.
| Indicador | Antes (junho 2025) | Depois (outubro 2025) |
|---|---|---|
| Seguidores | 269 | 3.583 |
| Reel mais visto | Ainda não existia | 257.676 visualizações |
| Visualizações | Período anterior | 197,17 mil em junho (+4.401%) |
| Rosto da marca | Portefólio de projetos | A Carina como cara e voz |
| Projetos pelo Instagram | Não atraía os clientes certos | 2 a 3 num só mês |
O crescimento não foi um pico isolado. Depois do salto de junho, o perfil continuou a subir todos os meses: 2.260 seguidores no fim de julho, 3.090 no fim de agosto e 3.583 no fim de outubro. São cerca de 13 vezes mais seguidores do que no início.

De seguidores a projetos
Seguidores não pagam contas. O que interessa é o que acontece depois. A Carina contou-nos que, num só mês, entraram dois ou três projetos de interiores vindos do Instagram e do WhatsApp. Não temos faturação nem número de orçamentos publicados, e por isso não os vamos inventar aqui. Mas para um estúdio de interiores, onde cada projeto tem um valor alto, dois ou três projetos num mês a partir das redes mudam o negócio.
Uma nota honesta: este ritmo não é a regra. Na nossa experiência, o crescimento costuma consolidar entre o 6.º e o 8.º mês de trabalho regular. A Frázia teve um reel que acelerou tudo, e isso não se consegue prometer a ninguém.
O que podes aplicar no teu negócio
Não precisas de um reel com 257 mil visualizações para começar. Precisas de deixar de ser mais um perfil bonito. Pronto, vamos à tarefa:
- Escolhe quem é o rosto. Tu, a sócia ou alguém da equipa. Uma pessoa que fale com regularidade e que o cliente vá reconhecer na primeira reunião.
- Escreve três opiniões tuas sobre o setor. Coisas que defendes e que nem todos os colegas defendem. Cada uma dá um vídeo e um carrossel.
- Mostra o processo. Escolha de materiais, visitas a fornecedores, a obra a meio, o antes e o depois. O critério vê-se no caminho, não só na fotografia final.
- Dá um truque que se aplica em casa. Conteúdo útil para quem ainda não te vai contratar faz-te lembrado quando essa pessoa estiver pronta.
- Termina com uma pergunta. Convida a tomar partido. Os comentários dizem-te o que o teu público pensa e dão ideias para o próximo vídeo.
- Planeia e grava em momentos separados. Escreve os roteiros do mês de uma vez e reserva umas horas só para gravar. Gravar um reel à pressa numa quarta à tarde raramente corre bem.
- Mede o que interessa. Seguidores são um sinal. Mensagens, pedidos de orçamento e projetos fechados são o resultado.

Se queres que façamos isto contigo, vê como funciona a gestão de redes sociais da The Pear e a captação de conteúdo, em que gravamos no teu espaço com roteiros aprovados antes. E se a dúvida é o orçamento, lê quanto custa gerir as redes sociais de uma empresa em Portugal.
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Perguntas frequentes
Como fazer marketing para designers de interiores no Instagram?
Começa por dar um rosto à marca e por ter opinião sobre o setor. Depois mostra o processo, não só os projetos acabados, e publica com regularidade vídeos e carrosséis que ensinem alguma coisa. Foi assim que a Frázia passou de 269 para 3.583 seguidores em cinco meses.
Como conseguir clientes de design de interiores pelas redes sociais?
Os clientes escolhem quem confiam, por isso o conteúdo tem de mostrar critério e personalidade. Truques que se aplicam em casa, bastidores e opiniões claras fazem com que te contactem quando estão prontos. Torna o contacto fácil, com WhatsApp ou formulário, e acompanha cada pedido.
Um designer de interiores precisa de aparecer em vídeo?
Não é obrigatório, mas ajuda muito. Na Frázia, o salto aconteceu quando a Carina passou a ser a cara e a voz da marca. Se tens resistência a gravar, começa com voz sobre imagens do processo e vai aparecendo aos poucos.
Quanto tempo demora a ter resultados no Instagram?
Depende do ponto de partida e da consistência. Na nossa experiência, o crescimento costuma consolidar entre o 6.º e o 8.º mês de trabalho regular. A Frázia cresceu mais depressa por causa de um reel viral, o que não se pode garantir.
É preciso publicar todos os dias?
Não. A Frázia teve 46 publicações em cinco meses, com 6 vídeos e 9 carrosséis. Mais importante do que a quantidade é cada peça ter uma ideia clara e a voz da marca.
Fontes
- The Pear Marketing, Caso Frázia: de 269 a 3.583 seguidores em cinco meses, dados das estatísticas do Instagram da marca, junho a outubro de 2025.
- ECO, Maioria dos portugueses com perfil em redes sociais segue marcas, novembro de 2025.
- Marktest, Os Portugueses e as Redes Sociais 2025.